A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa adicional de 25% sobre diversas importações brasileiras acendeu um sinal de alerta para a economia gaúcha, especialmente para a cadeia produtiva do tabaco. A medida foi oficializada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em 15 de julho e entra em vigor no próximo dia 22, atingindo produtos que ficaram fora da lista de exceções prevista pela legislação comercial norte-americana.
De acordo com Nota Técnica elaborada pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o estado apresenta um nível de exposição significativamente superior ao registrado no restante do país. Enquanto 38% do valor das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos será impactado pela nova tarifa, o percentual chega a 79% no Rio Grande do Sul, o equivalente a US$ 1,3 bilhão em vendas externas.
No agronegócio, a situação também preocupa. A parcela das exportações agropecuárias brasileiras atingidas pela medida representa 32,7% da pauta do setor. No Rio Grande do Sul, esse índice alcança 70,4%, refletindo a forte dependência de produtos que agora passam a enfrentar barreiras adicionais para ingresso no mercado norte-americano.
Tabaco lidera lista de produtos mais expostos
Entre os segmentos do agronegócio gaúcho, o tabaco aparece como o principal foco de preocupação. O fumo não manufaturado do tipo Virgínia lidera a lista dos produtos mais afetados pela nova tributação, seguido pela madeira serrada de pinus, calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino.
Segundo a análise da Farsul, os cinco principais produtos atingidos concentram 64% de toda a exposição do agronegócio gaúcho à medida tarifária. O destaque para os diferentes tipos de tabaco evidencia a relevância econômica da cadeia produtiva para o estado, que responde pela maior parte das exportações brasileiras do setor.
O potencial impacto tarifário sobre as exportações gaúchas foi estimado em US$ 325 milhões, sendo cerca de US$ 135 milhões relacionados ao agronegócio estadual.
Lista de exceções reduz parte dos efeitos
A versão final da medida trouxe uma ampliação da lista de produtos excluídos da sobretaxa, amenizando parcialmente os efeitos esperados. Entre os itens que ficaram de fora estão ferro-gusa, couros bovinos, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor e sucata de ferro e aço.
Com as exclusões, a participação das exportações brasileiras afetadas caiu de 43,7% para 38%. No Rio Grande do Sul, a redução foi mais modesta, passando de 81,1% para 79%.
Apesar das estimativas, a Farsul destaca que os valores calculados não representam perdas automáticas para os exportadores. A reação do mercado pode envolver renegociação de preços, redução de margens, busca por novos destinos comerciais ou até substituição de fornecedores por parte dos compradores americanos.
Diante do novo cenário, a entidade reforça a necessidade de acompanhamento permanente da implementação da medida e de possíveis revisões futuras, especialmente para setores estratégicos como o tabaco, que possui forte participação na geração de renda, empregos e exportações do Rio Grande do Sul.
Informações: Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL)
Fonte e foto: Olá Jornal