As exportações brasileiras de tabaco registraram retração no primeiro semestre de 2026, interrompendo a sequência de resultados mais robustos observada nos últimos anos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Comex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que os embarques de tabaco e seus subprodutos manufaturados somaram US$ 1,064 bilhão entre janeiro e junho, com volume de 173,3 mil toneladas.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o setor havia movimentado US$ 1,35 bilhão e 206,5 mil toneladas, a queda foi de 21,5% em valor e de 16,1% em volume. O desempenho também ficou abaixo dos resultados registrados em 2024 e 2023, refletindo um cenário de menor ritmo nos embarques internacionais ao longo da primeira metade do ano.
Apesar da retração, o resultado de 2026 permanece acima dos níveis observados em 2021 e 2020. Na série histórica iniciada em 1997, o valor exportado neste primeiro semestre figura entre os maiores já registrados, embora distante dos recordes alcançados em anos como 2009, 2012, 2013 e 2025. Já o volume embarcado ficou entre os menores das últimas duas décadas, superando apenas alguns períodos específicos da série histórica.
A redução dos negócios internacionais pode ser atribuída a fatores como a desaceleração da demanda em determinados mercados, ajustes de estoques por parte de compradores internacionais e ao ritmo mais lento de comercialização observado na atual safra brasileira. Mesmo assim, o tabaco segue entre os principais produtos do agronegócio exportados pelo país e mantém forte presença em diversos mercados consumidores.
PARTICIPAÇÃO
Venâncio Aires, um dos principais polos de processamento de tabaco do Brasil, respondeu por parcela significativa dos embarques nacionais. No primeiro semestre de 2026, as exportações originadas no município somaram US$ 320,2 milhões e 55,1 mil toneladas. O desempenho representa cerca de 30,1% de todo o valor exportado pelo país e 31,8% do volume embarcado no período, evidenciando a relevância do município para a cadeia produtiva e para o comércio exterior do setor.
DESTINOS
Entre os principais destinos do tabaco brasileiro no primeiro semestre, destacaram-se a Bélgica, com compras de US$ 232,9 milhões, seguida pela China, com US$ 185,2 milhões, e pela Indonésia, com US$ 138,8 milhões. Também figuraram entre os maiores compradores os Estados Unidos, com US$ 88,8 milhões.
O grupo dos principais mercados ainda inclui Vietnã, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Paraguai, Rússia, Argentina, Alemanha, Coreia do Sul, Tunísia, Montenegro, Romênia e Grécia.
Os números confirmam a diversificação dos destinos do tabaco brasileiro, com forte presença na Europa e na Ásia, regiões que concentram a maior parte das compras. Embora o primeiro semestre tenha sido marcado por retração frente ao desempenho excepcional de 2025, o setor mantém participação expressiva no comércio exterior brasileiro e segue tendo em Venâncio Aires um dos principais centros mundiais de processamento e exportação do produto.
Fonte e foto: Olá Jornal