A comercialização da safra de tabaco 2025/2026 apresenta ritmo mais lento do que o registrado em anos anteriores, gerando apreensão e expectativa entre produtores. De acordo com o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, Romeu Schneider, o cenário atual é marcado por fatores de mercado que vêm influenciando diretamente as negociações.
Segundo Schneider, até o momento cerca de 20% da safra foi comercializada, número considerado baixo para o período. Em anos anteriores, esse percentual já atingia entre 35% e 40% nesta mesma fase. “Há um atraso significativo, muito em função dos preços praticados atualmente”, destacou.
Um dos principais motivos para a lentidão é a postura dos produtores, que optam por segurar o produto na expectativa de melhores valores ao longo da safra. Essa estratégia tem como base experiências recentes, em que houve valorização do tabaco nos meses finais de comercialização. Outro fator relevante é a retomada mais rigorosa da classificação do produto.
No cenário internacional, o aumento da produção em países africanos também exerce pressão sobre os preços. O Zimbábue, por exemplo, deve ultrapassar 400 mil toneladas nesta safra, enquanto nações vizinhas como Tanzânia e Zâmbia também ampliaram significativamente suas áreas de cultivo. Esse crescimento global amplia a oferta e reduz a margem para valorização do produto.
Apesar de uma estimativa preliminar apontar produção de cerca de 619 mil toneladas no Brasil, volume inferior ao da safra anterior, há incertezas quanto ao número real. Isso porque muitos produtores plantaram fora do sistema integrado, o que pode elevar a produção total acima do esperado.
Além disso, fatores climáticos como granizo também impactaram a safra. Ainda que as perdas estejam dentro da média prevista, o volume de indenizações pagas atingiu recorde histórico, evidenciando a intensidade dos eventos.
Para Schneider, a expectativa de aumento de preços ao longo da safra é incerta. “Em situações excepcionais pode ocorrer alguma valorização, mas, em condições normais, a tendência é de manutenção dos níveis atuais, justamente pelo aumento da oferta global”, avalia.
Fonte e foto: Olá Jornal