
Foto: Polícia Rodoviária Federal (PRF)
Na última quinta-feira (27), um caminhão carregado com toras de madeira tombou e bloqueou totalmente a BR-290 por três horas, afetando a vida de milhares de pessoas. Esse é apenas mais um episódio em um longo histórico de acidentes na rodovia, que segue sem a duplicação prometida há mais de uma década.
A duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande foi anunciada em 2014 pela então presidente Dilma Rousseff, que, por sua relação com o Rio Grande do Sul, compreendia a importância da obra. O projeto conta com o apoio de uma Frente Parlamentar que defende a duplicação de toda a rodovia até Uruguaiana, conhecida como Rodovia do Mercosul, que permanece com pista simples no estado.
Após a licitação e a contratação de quatro empreiteiras, Dilma destinou R$ 80,6 milhões no primeiro ano e R$ 5,44 milhões no segundo. As obras começaram com a construção de viadutos, mas apenas um foi concluído, enquanto os demais ficaram inacabados.
Com o impeachment de Dilma em 2016, o governo de Michel Temer interrompeu os investimentos, resultando na paralisação das obras e na desmobilização das empreiteiras. Em 2017, Temer liberou R$ 5 milhões para a rodovia e, em 2018, apenas R$ 1,2 milhão, valores insuficientes para dar continuidade ao projeto.
Nos anos seguintes, a duplicação não avançou significativamente. Atualmente, a obra foi retomada nos lotes 3 e 4, entre Butiá e Pantano Grande, com o investimento de R$ 178,3 milhões. No entanto, os lotes 1 e 2 seguem parados, pois o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ainda avalia se os contratos antigos podem ser utilizados ou se será necessária uma nova licitação.
A indefinição jurídica que já dura mais de dois anos mantém a rodovia em condições precárias e expõe motoristas a riscos constantes. Caso os contratos antigos não sejam reaproveitados, a realização de uma nova licitação se faz urgente para que a duplicação saia do papel.
Fonte: Portal do Pampa