A redução dos preços pagos pela safra de tabaco 2025/2026 já começa a refletir na economia dos municípios produtores do Sul do país. A avaliação é do presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker (PSD), que alerta para impactos no comércio, no setor de serviços e na arrecadação municipal.
Segundo Becker, a comercialização da safra ocorreu de forma mais lenta neste ano, com muitos produtores aguardando uma possível recuperação nos valores pagos pelas empresas. No entanto, ocorreu uma compra na normalidade, prolongando o período de retenção do produto e reduzindo a circulação de recursos nas economias locais.
“Já foi bem visível dentro dos municípios das regiões produtoras a diminuição da movimentação econômica junto ao comércio e aos prestadores de serviço, em virtude da comercialização mais tardia e da expectativa dos produtores por uma melhora nos preços, que acabou não ocorrendo”, afirma.
O presidente da Amprotabaco destaca que os efeitos mais imediatos são percebidos na redução do consumo e dos investimentos realizados pelas famílias produtoras. Entretanto, as consequências para os cofres públicos tendem a ser ainda mais duradouras.
De acordo com Becker, a queda na renda gerada pela cadeia produtiva poderá influenciar diretamente o retorno do ICMS aos municípios nos próximos anos. Isso porque o índice de participação municipal é calculado com base na movimentação econômica registrada nos exercícios anteriores.
“Os reflexos continuarão sendo sentidos durante este ano e poderão se intensificar para os municípios no próximo, especialmente em função do retorno do ICMS, que é calculado sobre os resultados econômicos dos dois anos anteriores”, explicou.
A situação é considerada atípica pela entidade, que acompanha com preocupação o cenário internacional do setor. Becker observa que a redução da produção mundial de tabaco e as oscilações de mercado exigem cautela para preservar o equilíbrio da cadeia produtiva.
Nesse contexto, a orientação é para que os produtores mantenham as áreas atuais de cultivo, evitando uma expansão da produção. A medida busca evitar desequilíbrios entre oferta e demanda e garantir a sustentabilidade econômica dos diferentes segmentos envolvidos na atividade.
“Todos precisam ter sua sustentabilidade e geração de renda. Os custos de produção seguem aumentando, especialmente com a mão de obra, e isso exige atenção permanente para assegurar a viabilidade da produção de tabaco no Brasil”, ressaltou.
Fonte e foto: Olá Jornal