Com um salto de 91% no faturamento anual entre 2015 e 2025, o setor do tabaco superou o ritmo de crescimento dos principais pilares da economia gaúcha. O desempenho na chamada “década de ouro” consolidou o produto como o grande destaque de expansão e estabilidade, atingindo em 2025 a marca histórica de 15,21% de participação em tudo o que o Rio Grande do Sul envia para o exterior.
Enquanto o Rio Grande do Sul observou a ascensão das commodities e a oscilação de setores industriais tradicionais, o tabaco trilhou um caminho de crescimento sem paralelos entre os grandes protagonistas do estado. Ao comparar o desempenho com outros gigantes, como o complexo soja e a indústria automotiva, o tabaco destaca-se por uma expansão percentual robusta: enquanto as exportações de grãos enfrentaram a volatilidade de preços e quebras de safra, o tabaco quase dobrou seu faturamento anual, saltando de US$ 1,60 bilhão em 2015 para US$ 3,06 bilhões em 2025.

Este avanço de 91% posiciona o setor como o de maior aceleração dentro da “primeira prateleira” da economia gaúcha. Para efeito de comparação, o setor de sementes oleaginosas (liderado pela soja), embora mantenha a liderança em valores absolutos, registrou um crescimento nominal de cerca de 33% no mesmo período, um ritmo sólido, mas significativamente abaixo da explosão registrada pelo tabaco. Setores como o de carnes e de veículos também apresentaram evoluções, mas sem a mesma constância e força proporcional observada na cadeia produtiva do tabaco.
A análise da série histórica revela que essa década de ouro não foi apenas uma questão de volume, mas de valorização estratégica. O setor soube capitalizar a qualidade do produto processado no estado, garantindo preços competitivos no mercado global. Esse movimento permitiu que o tabaco ampliasse sua fatia no PIB exportador do estado, passando de uma média de 10% no início do período para os atuais 15%, um feito que reforça sua posição como o principal item manufaturado da pauta gaúcha.
O impacto dessa liderança em crescimento é sentido diretamente no interior do estado, onde a estrutura produtiva está ancorada. Diferente de outros ciclos econômicos que tiveram picos rápidos seguidos de quedas, o crescimento do tabaco entre 2015 e 2025 mostra uma curva de maturidade técnica e comercial. Ao encerrar 2025 com o maior faturamento e a maior participação da história recente, o setor se firma como o motor mais dinâmico da balança comercial gaúcha, garantindo divisas fundamentais para a saúde financeira do Rio Grande do Sul.
Fonte e foto: Olá Jornal