A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) projeta a realização de uma nova rodada de negociações no início de fevereiro para tratar da definição do preço do tabaco da safra 2025/2026. A decisão ocorre após o encerramento da primeira etapa de negociações sem acordo, realizada nos dias 19 e 20 de janeiro, na sede da entidade, em Santa Cruz do Sul (RS).
A rodada inicial reuniu a comissão representativa dos produtores — formada pela Afubra e pelas Federações da Agricultura (Farsul e Faesc) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná — com seis empresas fumageiras: JTI, BAT, Philip Morris, China Brasil Tabacos, CTA e Universal Leaf, em reuniões individualizadas. Outras empresas convidadas não compareceram neste primeiro momento, alegando não possuir propostas a apresentar.
Segundo o presidente da Afubra, Marcílio Drescher, apesar de a maioria das empresas presentes ter apresentado propostas, os índices ficaram abaixo do custo de produção, parâmetro mínimo previsto na Lei da Integração para o reajuste anual das tabelas. Uma das empresas, inclusive, não apresentou oferta inicial.
“Nesta rodada não tivemos o êxito pretendido. Os índices ofertados não contemplam a recuperação anual do custo de produção, o que inviabiliza qualquer acordo”, afirmou Drescher.
De acordo com o dirigente, o custo de produção foi apurado de forma conjunta entre as entidades representativas e as próprias empresas, o que reforça a legitimidade do índice como base para a negociação. “Não podemos adotar outro parâmetro. Se o reajuste não cobre os custos, o produtor perde rentabilidade e não recebe um retorno justo pelo seu trabalho”, destacou.
A ausência de uma tabela definida gera insegurança aos produtores, especialmente porque a comercialização do tabaco já está em andamento em algumas regiões. Para Drescher, a definição antecipada da tabela é fundamental para dar previsibilidade ao produtor integrado.
Mesmo em anos em que o mercado pratica preços superiores, o presidente da Afubra reforçou a importância da tabela mínima como instrumento de proteção em safras adversas. “Quando o mercado não reage, a tabela entra em vigor. Por isso, ela precisa estar atualizada e sem defasagem”, ressaltou.
Diante do impasse, a Afubra confirmou que seguirá dialogando com as empresas e irá convocar uma nova rodada de negociações em fevereiro, incluindo aquelas que não participaram do primeiro encontro. A expectativa da comissão representativa é avançar para propostas que respeitem, no mínimo, a variação do custo de produção e garantam a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco.
Fonte e foto: Olá Jornal